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Quando o esquecimento é considerado normal,  e quando não é ?

Falhas de memória podem ser observadas em qualquer idade, mas costumam ser mais relatadas pelos idosos. Algumas vezes, as falhas de memória são fisiológicas, não estando associadas a nenhuma doença. Em outros casos, elas podem ser um sinal de um declínio cognitivo que precisa ser investigado.

É importante sabermos que o esquecimento, antes de mais nada, é um processo natural de eliminação de informações irrelevantes pelo cérebro. Não podemos nos lembrar de tudo o que vivemos ao longo de nossas vidas, senão isso acarretaria uma sobrecarga muito grande ao sistema nervoso. O problema é quando esquecemos aquilo que não queremos ou não devemos esquecer, ou quando o esquecimento está afetando nosso bom funcionamento no dia a dia, gerando insegurança e passando a comprometer nossa eficácia.

Muitas são as possíveis causas para esquecimentos. Algumas das mudanças fisiológicas que ocorrem no envelhecimento predispõem o indivíduo a ter insucessos de memória. Compreender essas mudanças e aprender a melhor utilizar as próprias capacidades é um dos caminhos para se manter a memória eficaz no envelhecimento.

Doenças neurodegenerativas, como a Doença de Alzheimer, são algumas das causas mais conhecidas de declínio cognitivo, que afetam não apenas a memória, como também a linguagem e o comportamento do indivíduo. Contudo, muitos outros fatores podem estar por trás dos esquecimentos do dia a dia, como ansiedade, estresse e outras condições clínicas potencialmente tratáveis, como hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12 e depressão.  Por isso, é fundamental que se faça uma avaliação médica quando as falhas de memória estão comprometendo o indivíduo em suas atividades.

Além disso, quando diante de um esquecimento, muitos indivíduos pensam ser esse um sinal de problema específico na memória. No entanto, a causa real de um esquecimento pode ser outra como, por exemplo, falta de atenção. Sim, a atenção é fundamental para uma boa memorização e quando estamos distraídos, desatentos, perdemos a oportunidade de fixar adequadamente a informação que nos está sendo apresentada. Comprometemos, assim, o processo de memorização já em sua primeira fase: o registro. Quando não prestamos atenção, não registramos adequadamente a informação – um nome, uma data, um número de telefone, por exemplo – e, portanto, não temos como retê-la adequadamente em nossa mente e nem podemos resgatá-la no momento desejado.

Se você observar que os esquecimentos estão comprometendo o seu dia a dia ou gerando preocupações para você ou seus familiares, busque uma avaliação o quanto antes. Lembre-se de que existem muitas causas de falhas de memória potencialmente reversíveis, se diagnosticadas e tratadas a tempo. Em caso de qualquer dúvida, não hesite em conversar com seu geriatra sobre sua memória e a eventual necessidade de uma avaliação.

Texto:
Dra. Ana Clara Guerreiro
Médica Geriatra Titulada pela SBGG.

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