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Doença de Alzheimer – o que é e quais são suas fases

A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, que provoca morte de neurônios e atrofia cerebral. Acomete principalmente pessoas idosas, e o risco aumenta com a idade avançada, mas pode afetar pessoas mais jovens, inclusive abaixo dos 50 anos.

Nosso cérebro é formado por células com funções variadas, sendo os neurônios os responsáveis pela transmissão das informações. Temos em torno de cem bilhões de neurônios, que possuem prolongamentos (axônios) para se comunicarem com outros, configurando uma rede com cerca de cem trilhões de sinapses (comunicações entre os neurônios).

O mecanismo biológico exato da doença de Alzheimer ainda não é totalmente conhecido, mas o processo de morte neuronal está ligado ao acúmulo de proteínas beta amiloide e tau no cérebro, formando as placas senis e emaranhados neurofibrilares. Essas alterações provocam destruição das sinapses e mudanças na estrutura do neurônio, dificultando a transmissão de informações e perda neuronal.

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência nos idosos, respondendo por mais de 70% dos casos. Chamamos de demência o declínio das funções mentais que gera algum grau de dependência nas atividades de vida diária (ex: controle financeiro, tomada de medicamentos, habilidades domésticas ou no trabalho e autocuidado).

Outras causas de demência incluem os acidentes vasculares cerebrais (AVC ou AVE), tumores cerebrais, deficiência de vitamina B12, infecções no cérebro (sífilis, infecção pelo vírus HIV), doença de Parkinson, demência Frontotemporal e demência por corpos de Lewy.

Os sintomas mais frequentes da doença de Alzheimer são:

  • Prejuízo da memória: inicialmente de fatos recentes, compromissos e perda de objetos.
  • Desorientação no tempo e espaço.
  • Desatenção: com dificuldade de concluir tarefas e sustentar conversas.
  • Problemas de linguagem, com interferência na compreensão e expressão.
  • Alterações do julgamento e pensamento abstrato.
  • Perda da autocrítica.
  • Dificuldade na execução de tarefas familiares: como arrumar a casa, preparar uma refeição e resolver assuntos no banco.
  • Alterações comportamentais e mudanças na personalidade: depressão, oscilações frequentes no humor, agitação, compulsões e problemas no sono.

A doença de Alzheimer tem caráter progressivo. Não podemos determinar ao certo o tempo de evolução da doença até as fases mais avançadas, mas estima-se que seja em torno de 10 anos. A progressão depende de diversos fatores, incluindo a idade do início dos sintomas e a presença de outras condições clínicas.

Classificamos a doença de Alzheimer em três estágios: inicial, moderado e avançado.

– Estágio inicial: caracterizado por problemas no aprendizado, memória de curto prazo e resolução de problemas. A pessoa geralmente consegue executar algumas atividades em casa e no trabalho, frequentemente com falhas;

– Estágio moderado: nessa fase, os déficits são mais evidentes. Pode haver episódios mais frequentes de desorientação, prejuízo mais acentuado da memória e maior dependência nas atividades de vida diária.

– Estágio avançado: com a progressão da doença, há dependência nas atividades do autocuidado. A pessoa passa a precisar de ajuda no banho, vestuário e higiene. O prejuízo da memória é grave bem como da linguagem, dificultando a comunicação. Nessa fase, a pessoa pode apresentar problemas na deglutição, perda de controle da urina e fezes e risco maior de contrair infecções.

Até o presente momento, ainda não foram desenvolvidos tratamentos que promovam cura ou estabilização da doença de Alzheimer.

Os medicamentos que usamos são associados a uma melhora global no funcionamento cognitivo e nas atividades de vida diária, mas o efeito é modesto e temporário na maioria dos casos.

Além do tratamento farmacológico, é importante adotar estratégias não medicamentosas no controle da doença, como prática de atividades físicas, envolvimento social, jogos e musicoterapia, de acordo com as capacidades da pessoa em cada fase da doença.

A avaliação por uma equipe multiprofissional se faz necessária por outros sintomas que frequentemente surgem na evolução da doença, como desequilíbrios, dificuldades no posicionamento e lesões na pele (lesões por pressão, dermatites).

Um outro ponto importante é a manutenção da saúde de quem cuida. Frequentemente os cuidadores se sentem sobrecarregados, aumentando o risco de depressão, queixas de memória, maus tratos e internação em instituições de longa permanência para idosos. Sempre que possível, o paciente deve contar com uma rede de apoio incluindo familiares e cuidadores formais.

Apesar dos conhecimentos atuais em relação à cura da doença não serem animadores, sabemos que existem formas de prevenção. A doença de Alzheimer apresenta um risco familiar, com um componente genético, mas isso geralmente representa apenas um peso a mais na balança a favor da doença. O envolvimento social e as atividades intelectuais aumentam a quantidade e configuram novas conexões entre os neurônios, no processo de plasticidade neuronal, que é fator protetor para a doença. O controle das doenças clínicas – tratamento da hipertensão, diabetes, obesidade – prática regular de atividades físicas, adoção de uma dieta reduzida em gorduras e carboidratos, interrupção do tabagismo e do consumo exagerado de bebidas alcoólicas também são importantes ferramentas na prevenção da doença.

Texto:
Gustavo de Jesus

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